A Fundação Iochpe quer usar a tecnologia para massificar o acesso dos jovens à formação profissional. Um dos caminhos para essa capacitação é o seu programa Formare, que já formou mais de 22 mil jovens de baixa renda desde 1989.

Pelo modelo atual, o programa consegue atender cerca de 1.500 jovens por ano através de parcerias com empresas em 64 unidades espalhadas por 12 Estados do país. O desafio é permitir que mais jovens tenham acesso a esse tipo de capacitação e, que dessa forma, consigam romper com o ciclo de desemprego e pobreza em que estão inseridos.

“Existe uma procura reprimida por qualificação no país. Cada vez que uma das unidades abre processo seletivo, recebe de 1.000 a 1.200 inscrições. Mas cada unidade só pode selecionar de 20 a 25 jovens. Muita gente fica de fora. Nosso sonho é não deixar ninguém de fora”, diz Claudio Anjos, presidente-executivo da Fundação Iochpe.

Por que essa atenção as jovens? Por vários motivos. Um dos mais preocupantes é que o país tem cerca de 11 milhões de jovens entre 15 e 29 anos classificados como nem-nem ou sem-sem, ou seja, não estudam nem trabalham.

“O Brasil precisa olhar melhor sua juventude. O futuro está na cabeça da juventude. Se não encararmos que temos 10,9 mi de jovens sem-sem, estaremos jogando o futuro do país no lixo”, afirma Anjos.

Em segundo, é que a formação profissional melhora a empregabilidade do jovem no mercado de trabalho. A taxa de desemprego na faixa etária de 18 a 24 anos bateu 29,7% entre abril e junho. Esse percentual é mais que o dobro da taxa de desemprego do conjunto da população (13,3%).

Números da Iochpe mostram que 80% dos jovens que passaram pelo Formare foram inseridos no mercado de trabalho.

Que outros efeitos colaterais dessa formação profissional? Anjos cita vários. Um dos mais importantes é dar ao jovem a capacidade de entrar na faculdade e sonhar com um futuro melhor.  “Nossa última pesquisa mostrou que a chance desse jovem [que passou pelo Formare] entrar no ensino superior é 10 vezes maior do que da média daquela faixa etária. E o ensino superior permite que a pessoa tenha acesso a cargos que antes lhe eram negados.”

O resultado é que esses jovens que receberam capacitação profissional recebiam, em média, 50% mais que a média da sua faixa etária.

Para o presidente da Fundação Iochpe, isso melhora a forma como esse jovem enxerga suas capacidades em relação ao mundo. “Ele deixa de replicar um modelo em que está inserido e passa a enxergar a possibilidade de sonhar com cargos de gerente, diretor, CFO e até de CEO. Quanto vale transformar a perspectiva a ponto de a pessoa achar que é capaz disso? Isso não tem preço.”

Mas qual o preço de massificar essa formação? Isso tem preço: Anjos estima que seja de R$ 4 milhões. Esse é o custo do programa que ele quer desenvolver para permitir que a capacitação profissional do Formare esteja disponível a todos que quiserem por meio de um app. “Estamos tentando levantar recursos. Somos uma entidade sem fins lucrativos e desejamos oferecer esse modelo de graça. Esse é nosso desafio e temos perseverança e fé que vamos encontrar quem gente para nos apoiar.”

Qual o argumento para defender isso? Anjos diz que o país está desperdiçando a sua capacidade de inovação. “O país está desperdiçando seu maior ativo que é a criatividade, inovação e vontade de fazer diferença do jovem. Se a gente, como projeto, consegue fazer esse jovem sonhar e chegar a novos lugares, imagina quantos outros estamos perdendo por falta de oportunidades.”

De Santo André para a Itália

A brasileira Daiana Paz, 33, foi uma das formandas dos cursos profissionalizantes do Formare de 2004. Na época, ela morava em Santo André, com a família. Hoje, ela é analista financeira da Magneti Marelli em Turim, na Itália.

Para ela, fazer o curso profissionalizante fez toda a diferença em sua carreira. “Eu sempre falo que para quem vem de família de baixa renda, fazer faculdade parece impossível. O Formare me incentivou a sonhar e a acreditar que poderia chegar onde quisesse.”

Daiana diz que foi a primeira da sua família a fazer faculdade. “Fiz administração, com ênfase em finanças. Quando eu estava no segundo ano, a empresa me chamou para estagiar e continuo nela até hoje.”

Que recado ela dá para jovens de baixa renda? “Que o caminho não é fácil, mas não é impossível.”

Ensino profissionalizante melhora inserção no mercado e chance de fazer faculdade, segundo Fundação Iochpe/Crédito: Shutterstock

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