Para você, trabalhar de casa significa poder controlar sua rotina, levar os filhos para a escola ou começar seu expediente sem tirar o pijama? Pense bem antes de sonhar com isso.

Um estudo recente da Universidade da Califórnia-Santa Barbara (UCSB) mostrou que os trabalhadores em home office têm menos reconhecimento que os profissionais que atuam no ambiente da empresa — e, por isso, precisam trabalhar mais para serem promovidos.

Estudo mostrou que profissionais que trabalham de casa são menos reconhecidos do que os que trabalham na empresa
Crédito: Shutterstock

Por que o estudo diz isso? As relações face a face produzem um nível maior de confiança nos chefes, dizem os autores da pesquisa. Com isso, os funcionários que trabalham no mesmo ambiente do seu gestor costumam receber as chamadas “boas atribuições” — aquelas que levam ao reconhecimento e às promoções.

A presença física também ainda é vista como sinal maior de comprometimento com o trabalho, com a equipe e a própria empresa.

Enquanto isso, os trabalhadores que fazem home office tentam compensar essa falta de confiança de outras formas. “Como se trata de um ambiente competitivo, esses profissionais têm que se dedicar a comportamentos que reflitam o sinal de comprometimento desejado, ao ponto de eles sentirem que estão sacrificando as vidas pessoais pela carreira”, dizem os autores da pesquisa Ioana C. Cristea e Paul M. Leonardi.

Quais são esses comportamentos? Atender ligações ou participar de reuniões fora do horário de trabalho, trabalhar mais horas e abrir mão de férias.

Os autores observam que, mesmo que esses comportamentos se traduzam em reconhecimento, ou uma promoção, o profissional já terá “morrido tentando” (a expressão faz parte do nome do estudo: Get Noticed and Die Trying, ou Seja reconhecido e morra tentando, na tradução livre). A pressão e a carga de trabalho são tão grandes que, mesmo avançando, esse trabalhador remoto tem grandes chances de já estar insatisfeito com a carreira.

O que fazer, então? Segundo o TST (Tribunal Superior do Trabalho), o Brasil tem mais de 12 milhões de pessoas trabalhando parcialmente ou totalmente em regime remoto — o que representa quase 13% dos que estão empregados. Parte desses profissionais pode estar enfrentando os mesmos problemas descritos no estudo americano.

6 Minutos ouviu Renato Trindade, gerente executivo da Michael Page, empresa de consultoria e recrutamento. Ele deu dicas para ajudar os profissionais remotos a ganharem reconhecimento, sem perder o equilíbrio com a vida pessoal.

Aqui vão as principais:

  • Mesmo que você esteja trabalhando de casa, estabeleça uma rotina de trabalho como se estivesse no escritório. Isso inclui acordar de manhã e trocar de roupa — nada de trabalhar de pijama! “É importante ter horários: de entrada, de saída e de almoço”, afirma. Ele diz que essa rotina tem dois pontos importantes: o primeiro é evitar que o trabalhador encare o home office como folga, e o segundo é para evitar que o expediente seja prolongado sem necessidade.
  • Trabalhe remotamente, mas esteja presente. Participe de reuniões da sua área (se possível, em vídeo também), mantenha a frequência da comunicação com as outras áreas e não se afaste do ecossistema da empresa. “Infelizmente, ainda vigora a cultura do ‘quem não é visto não é lembrado’. Pesa muito na promoção o que os colegas de trabalho pensam”, afirma Trindade, da Michael Page.
  • Mantenha suas metas e carga horária bem claras. Embora os profissionais tenham a tendência de trabalhar mais para compensar a ausência no escritório, é importante lembrar que um dos benefícios do home office é justamente o aumento de produtividade. “A empresa reduz custos fixos, como os de transporte, internet e energia, e o funcionário ganha em qualidade de vida”, diz Trindade. Se bem executado, o trabalho remoto é uma relação ganha-ganha (ou seja, os dois lados se beneficiam).
  • Continue a fazer networking. Não deixe a distância te afastar dos contatos que podem ser importantes no futuro. Embora os brasileiros prefiram, por questão cultural, a conversa face a face, é possível praticar o networking à distância — mantenha contato e troque experiências, mesmo que por e-mail, mensagem ou vídeo.

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