Private equity não funciona pelo Zoom. É a opinião de Michael Psaros, cofundador da KPS Capital Partners, firma de investimento em empresas de capital fechado com US$ 13,5 bilhões em ativos.

Horário flexível, trabalho remoto e videochamadas estão fora de cogitação.

A KPS, que investe na indústria de transformação, exige a presença de toda a equipe de Nova York no escritório cinco dias por semana desde o início de setembro, contanto que esses indivíduos estejam vacinados.

Esta é a única abordagem que faz sentido no mundo das aquisições, acredita Psaros, que já trabalhou na área de banco de investimento da Bear Stearns. Ele conta que a maioria dos colaboradores já estava de volta ao escritório em junho.

“Tenho certeza de que o trabalho flexível é bom para certos setores, mas não private equity”, disse Psaros, 54 anos, em entrevista. “O capital privado é um negócio de aprendizagem e relacionamento e você não pode ser aprendiz pelo Zoom.”

Há pelo menos um ano, algumas firmas de Wall Street exigem que funcionários vitais apareçam no escritório todos os dias. A KPS se destaca por exigir que todo o quadro de pessoal faça isso.

“Não dá para comparar o burburinho e a energia de todos trabalhando juntos, em salas de reunião e andando pelos corredores, com uma força de trabalho híbrida ou remota”, disse Psaros.

Sua companhia de 82 pessoas tem escritórios em Nova York, Amsterdã e na Alemanha. “Até voltarmos, eu tinha me esquecido da mágica que ocorre quando trabalhamos juntos presencialmente.”

Mas o trabalho remoto no início da pandemia não freou a KPS.

Conhecida pela demora para alocar capital, a firma tem feito investimentos em ritmo recorde. Desde junho de 2020, foram concluídas ou anunciadas 11 transações com valor somado de aproximadamente US$ 8,5 bilhões — a maior quantia desde que Psaros ajudou a criar a KPS há três décadas.

A firma também se beneficia de um ambiente favorável para captações e levantou US$ 6 bilhões para seu quinto fundo focado em situações especiais, mais US$ 1 bilhão para um fundo concentrado em empresas de médio porte em 2019.

“As oportunidades no mercado eram tão atraentes que em um ano conseguimos empregar aproximadamente um terço do nosso fundo voltado para mid-caps”, disse Psaros, “além de mais de um terço do capital do nosso fundo principal”.

 

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