A pandemia acelerou mudanças na política de benefícios oferecidos pelas empresas a seus funcionários. Uma ideia que começou a ganhar corpo é permitir que cada colaborador monte a própria cesta de benefícios de acordo com suas necessidades.

“A pandemia e o home office mudaram as necessidades das pessoas. Discutimos que tipos de benefícios devem ser dados em um momento em que os funcionários ficam mais tempo em casa”, diz Thomaz Menezes, presidente da It’sSeg.

Entre as empresas que oferecem essa política de benefícios flexíveis está o iFood. “O foco do nosso programa é respeitar que pessoas em diferentes momentos da vida possuem necessidades diversas, e queremos dar flexibilidade e autonomia para que cada um monte a composição do seu pacote de benefícios de acordo com esse momento”, disse André Borges, head de sustentabilidade, saúde & bem Estar e benefícios do iFood.

Alguns benefícios são obrigatórios por questões legais, como plano de saúde, seguro de vida e vale refeição. No caso dos benefícios obrigatórios, o funcionário pode escolher uma versão mais básica ou mais completa – que lhe custará mais ou menos pontos.

O programa de flexibilidade inclui os seguintes benefícios: assistência médica, odontológica, seguro de vida, vale alimentação e refeição, farmácia, vale cultura, vale combustível, Playkids, My Pet, Allpoints (para viagens), estacionamento e upgrade no reembolso idioma.

A vida entre quatro paredes acabou afetando a alocação desses benefícios. “Vimos algumas mudanças durante a pandemia. Com o home office, reforçamos o suporte emocional e a cobertura psicológica, e notamos que os colaboradores têm dado maior foco em saúde e alimentação, e uma diminuição nas alocações de cultura, combustível e estacionamento”, disse Borges.

O que mais mudou?

Os efeitos da pandemia sobre a saúde física e mental dos funcionários também entrou no centro das atenções dos empregadores. Por isso, muitas companhias incorporaram ou reforçaram o atendimento psicológico na cesta de benefícios  aos colaboradores.

“Benefícios relacionados à saúde mental não eram tão comuns antes da pandemia. Essa foi uma mudança que ela acelerou e que deve ficar”, afirma Gil van Delft, presidente do PageGroup no Brasil.

Como será o trabalho pós-pandemia?

Mas essa mudança só vale para agora? Para Gil van Delft, essas alterações já miram o trabalho em um mundo pós-pandemia. “Não se espera que todos voltem a trabalhar presencialmente cinco dias por semana após a pandemia. Acreditamos que haverá uma jornada mais flexível, evoluindo para alguns dias no escritório e outros em casa.”

Um sinal de mudança dos tempos são os benefícios que foram perdendo importância na vida das pessoas ao longo dos anos. “Uns 18 anos atrás, oferecer um carro para altos executivos era um diferencial muito valorizado. A gente até publicava nos anúncios que a vaga pagava salário fixo, bônus e carro. Hoje, os funcionários preferem um cartão de mobilidade”, disse Van Delft.

Segundo Menezes, a vida em home office precisa considerar a adequação do ambiente para o trabalho. “Muitas vezes, há dois ou três adultos trabalhando no mesmo lugar e não há espaço adequado. A política de benefícios pode prever o reembolso para mobiliário, internet e conta de luz.”

“E não só isso. É preciso fornecer notebooks, headsets e outros equipamentos para adequação do trabalho”, afirma o presidente da Michael Page.

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