Pagar para usar áreas ou serviços exclusivos de sites de vagas parece uma alternativa para acelerar a recolocação do profissional no mercado de trabalho. Mas será que vale a pena investir neste tipo de plataforma para conseguir uma oportunidade com carteira assinada? Especialistas ouvidos pelo 6 Minutos divergem sobre o assunto.

Para o presidente da ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Paulo Sardinha, a resposta é não. “Quando você paga por alguma coisa, você espera receber um produto ou serviço de volta. No caso dos sites de vagas, você está pagando por uma promessa”, afirma Sardinha, que considera as cobranças contraditórias do ponto de vista humano.

Já o especialista em inteligência comportamental e gestão de pessoas Edson Carli afirma que não dá para generalizar e que esses serviços podem fazer sentido para alguns profissionais. Para quem está no começo da carreira, por exemplo, e não tem uma boa rede de contatos, pode ser vantajoso para que o currículo circule no mercado.

Agora, para quem está em busca de cargos de liderança, a situação é diferente. “Quando você começa a subir na hierarquia profissional, fica mais difícil conseguir um emprego por sites de vagas, porque essas posições normalmente são preenchidas internamente ou por indicação”, afirma Carli.

Se for para pagar, Carli orienta que o candidato prefira plataformas mais focadas na área de atuação da pessoa para aumentar as chances de um retorno positivo.

Como as empresas buscam novos colaboradores? Normalmente em sites especializados, no LinkedIn, no próprio banco de talentos ou por indicação.  “Quando o empregador está em busca de um talento, costuma pagar por serviços de recrutamento e seleção. Neste caso, é uma relação comercial válida”, afirma Sardinha.

Quais as alternativas para se recolocar no mercado? O candidato deve manter contato com profissionais da área, apostar no networking, criar bons perfis nas redes sociais, principalmente no LinkedIn, se inscrever em sites gratuitos de vagas e se manter visível no mercado. Vale fazer cursos ou frequentar eventos do setor – mesmo que online em tempos de isolamento social – para expandir o networking e conhecer potenciais recrutadores.

Não ficar restrito na busca por um emprego também ajuda durante o processo. Expandir a área de atuação pode aumentar as chances do candidato conseguir uma vaga interessante, que goste e talvez nunca tinha pensado antes.

As dicas valem tanto para quem busca um emprego como para quem já está colocado no mercado. Quem está empregado, não pode se descuidar, porque senão pode ter dificuldades para se recolocar no futuro, diz Sardinha.

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