O setor de tecnologia é predominantemente masculino. As mulheres ocupam apenas 19% dos cargos desse setor, segundo estudo da Catho. Mas na Cielo as mulheres estão fazendo a diferença. Ana Flávia Fusco, 38, é head do Garagem, a célula de inovação da Cielo responsável pela criação do pagamento do auxílio emergencial na maquininha e do pagamento por reconhecimento facial, que está em fase de teste.

Mesmo trabalhando em áreas em que as mulheres eram minoria, a executiva disse que nunca deixou de dar sua opinião. “Eu não deixava a oportunidade de ser ouvida passar. Sempre colocava meus pontos de vista e batia na tecla do que acreditava”, disse em entrevista ao 6 Minutos.

A Cielo deve fixar  metas para aumentar a representatividade das mulheres na companhia. Hoje, elas são 40% do quadro de pessoal da empresa.

Leia abaixo entrevista com a executiva.

Quando foi que você percebeu que as mulheres eram minoria nos cargos de liderança e, ainda mais, no setor de tecnologia?

Ana Flávia Fusco – Vim de uma família com pai e mãe psicólogos. Nunca tivemos isso de haver coisas que homem pode fazer e mulher não pode. Tanto que as tarefas da casa sempre foram muito bem divididas. Eles nos criaram olhando para frente, dizendo que poderíamos ser o que quiséssemos.

Fui estudar fora e quando voltei comecei a trabalhar. Foi aí que eu percebi que só tinha gerentes homens. Havia pouca representatividade feminina nos cargos de liderança.

Você já sentiu na pele algum tipo de dificuldade por ser mulher?

Quando olho para minha trajetória, vejo que houve momentos em que eu participei de reuniões e que eu falava, falava e o CEO não dava a nenhuma bola. Aí vinha um homem, dizia as mesmas coisas que eu e o CEO falava que era uma ótima ideia.

Vejo que essas barreiras estão diminuindo, aos poucos. E existem muitos programas de mentoria para ajudar a desenvolver as carreiras das mulheres.

Já estive em reuniões em que havia 10 pessoas na sala e eu era a única mulher. No começo me sentia acuada. Mas lembrava da minha base [familiar] que me ensinou que poderia chegar onde quisesse, que podia fazer e acontecer.

E como romper essas barreiras?

Mesmo nas ocasiões em que a maioria dos presentes era homem, eu não deixava a oportunidade de ser ouvida passar. Sempre colocava meus pontos de vista e batia na tecla do que acreditava.

Que conselho você para as mulheres se desenvolverem na carreira?

Sempre falo: se prepare, independentemente da área em que você está. E seja confiante noa há hora de falar. Como você se preparou, fica mais fácil ter confiança para falar e passar sua mensagem.

Para as meninas que estão começando, sempre falo para que estudem bastante, pois isso vai leva-las para outro patamar. E se inspirem em mulheres que estão à frente. Falo muito da Luiza Helena Trajano (Magazine Luiza), da Tania Constantino (Microsoft) e da Camila Farani (investidora anjo).

O que você faz para ampliar a participação feminina nos lugares em que são minoria?

A Cielo tem um programa de mentoria para startups. Quando a gente faz a pré-seleção, sempre pinço alguns requisitos. Um deles é que existam startups com CEO mulher na pré-seleção. Isso ajuda nesse crescimento.

Quando foi que aconteceu a mudança de chave para você até aqui?

Foi quando fui parar em uma empresa em que havia muita diversidade e lideranças femininas. Isso me chamou atenção e abriu meu olho de que era possível chegar lá. Abriu meu olho sobre a importância do empoderamento feminino e da diversidade para a inovação. Quando a gente tem pluralidade e vários olhares, conseguimos atingir à inovação que toda comunidade precisa.

E como surgiu o pagamento do auxílio na maquininha?

Ele nasceu em 48 horas, foi muito rápido. O Brasil todo estava vendo a dificuldade das pessoas para sacar o auxílio, enfrentando muitas filas. Então surgiu a ideia de ter uma solução que tirasse as pessoas das filas e que permitisse que pudessem usar o auxílio para fazer o supermercado.

A pandemia ajudou ou atrapalhou?

Atrapalhou alguns projetos, mas ajudou em outros. O Link de Pagamento, por exemplo, foi um que cresceu muito na pandemia. Estávamos nas lojas observando e víamos que havia pessoas com medo de encostar na maquininha. Por isso o link cresceu.

O reconhecimento facial, que começamos a testar, já estava em estudo desde 2019. Com as novas restrições de circulação, a expansão do piloto vai demorar um pouco mais.

Cielo Digi Day Tech

Na quinta-feira, a empresa realiza a terceira edição do Cielo Digi Day Tech, que terá como tema “Protagonismo Feminino no Universo de TI e Inovação”.

Na edição deste ano, o evento mostrará quem são as mulheres por trás da tecnologia e inovação que ajudaram a implementar o auxílio emergencial na maquininha.

As mulheres do time Garagem convidaram CEOs das startups para falarem sobre mulheres na inovação: superando os desafios do empreendedorismo feminino.

Ana Flávia, chefe da área de inovação da Cielo/Crédito: Divulgação

 

 

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