A pandemia acentuou desigualdades históricas no mercado de trabalho. Uma delas é a racial. Levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base em dados da Pnad mostra que negros são  minoria em home office.

No Brasil, os negros são 34% dos ocupados em teletrabalho, enquanto entre os não negros esse percentual sobe para 66%. Em São Paulo, a diferença é ainda maior: 21% são negros e 79% são não negros.

Outro estudo conduzido pelo Insper mostra que homens ganham mais que mulheres. A maior diferença salarial foi encontrada entre homens brancos e mulheres negras.

No setor privado, o salário médio de mulheres negras com ensino superior era de R$ 2.902,55, ou seja, 43% do que ganhava um homem branco (R$ 6.626,84) nas mesmas condições.

“Verifica-se que os salários médios de homens brancos são mais altos em todas as profissões, independentemente do tipo de instituição na qual realizou o ensino superior”, afirma o estudo do Insper.

Ensino x home office

Mas a desigualdade do home office não se restringe à raça. Como a possibilidade de trabalhar de casa é maior em funções administrativas, os menos escolarizados também ficam excluídos dessa modalidade.

No Brasil, apenas 26% dos ocupados sem nível superior trabalham em home office – esse percentual sobe para 74% entre aqueles com nível superior. Essa é a mesma distribuição quando se analisa apenas São Paulo.

Casa própria

Outro reflexo da falta de acesso a empregos melhores é o que mostra que o home office está mais presente entre pessoas com casa própria. Com menos escolaridade, os trabalhadores acabam ganhando menor – e, por consequência, tendo menos chance de comprar uma casa.

De acordo com o levantamento, só 26% dos que não têm imóvel estão em teletrabalho. Essa fatia sobe para 74% entre os que são donos do próprio teto.

Negros são minoria em home office
Crédito: Shutterstock

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu WhatsApp? É só entrar no grupo pelo link: https://6minutos.uol.com.br/whatsapp.