Que as habilidades comportamentais são cada vez mais valorizadas no ambiente de trabalho você já sabe. A questão é que dominar essas soft skills em um mundo em que as pessoas ficam cada vez menos tempo no emprego pode não ser suficiente para garantir a empregabilidade. É preciso também ter conhecimento técnico. Por isso, as empresas procuram avidamente por profissionais com talentos híbridos – aquele que reúne competências comportamentais e técnicas.

Por que essa busca por profissionais com talentos híbridos? Porque não é fácil encontrar profissionais com esses dois talentos, os técnicos e os comportamentais. O fato de as pessoas ficarem cada vez menos tempo dentro das corporações pesa muito também. Gil Van Delft, presidente do PageGroup no Brasil, disse que as empresas têm muita dificuldade para capacitar as pessoas na parte comportamental dentro de um prazo aceitável.

“Como os períodos de permanência na empresa são mais curtos hoje, não há tempo suficiente para capacitar o funcionário no quesito comportamental”, afirmou ao 6 Minutos.

A exigência de conhecimento técnica segue a mesma lógica. “Investir na capacidade técnica é mais fácil. Mas contratar uma pessoa sem esse conhecimento e que pode ficar menos de 2 anos na empresa pode não compensar.”

Mas o que é mais difícil de encontrar? Van Delft diz que as exigências técnicas não mudaram tanto. “A grande dificuldade para contratar é alguém que reúna as habilidades comportamentais, que dê match com a cultura da empresa e já venha com esse conhecimento técnico. São muito valorizados a capacidade de análise de dados e o raciocínio lógico.”

Quais as maiores dificuldades para contratação? O estudo ‘Habilidades 360°, do PageGroup, identificou os seguintes motivos:

  • Candidatos não possuem as competências comportamentais necessárias: 61%
  • Candidatos não possuem os conhecimentos técnicos exigidos: 40%
  • Candidatos não têm a experiência necessária: 24%
  • RH não consegue encontrar o talento certo: 35%

Esse cenário mudou a forma de contratar? Sim. Delft diz que as empresas olhavam muito antes para a faculdade que a pessoa tinha cursado e os anos de experiência. “Hoje, contam mais as habilidades comportamentais e a capacidade de ser rapidamente produtivo para a empresa.”

Como as empresas estão lidando com a escassez desses talentos? A maioria está investindo em treinamentos:

  • Treinamento regular dos colaboradores atuais: 52%
  • Redefinição do perfil exigido nas vagas: 40,4%
  • Investimento em melhores processos de recrutamento e seleção: 32%
  • Redefinição das vagas existentes: 26,2%
  • Testes de habilidades: 17,3%

Por que as importâncias atentaram para isso? A lógica é que contar com esse tipo de talento pode significar a diferença para o sucesso de uma empresa. “A corrida para recrutar, atrair e desenvolver talentos híbridos será reservada para aqueles que entendem a relevância do talento híbrido para consolidar equipes de trabalho altamente eficientes e prontas para navegar na volatilidade do mundo do trabalho”, diz Patrick Hollard, diretor-executivo da PageGroup para América Latina no estudo ‘Habilidades 360°’.

Quais são as habilidades comportamentais mais valorizadas? O estudo aponta que isso pode variar de acordo com o porte da empresa.

  • Para companhias maiores, as skills mais desejadas são trabalho em equipe, inteligência emocional e comunicação assertiva.
  • Para as médias, valoriza-se comunicação assertiva, inteligência emocional e capacidade de resolver problemas.
  • Nas pequenas, dá-se preferência por trabalho em equipe, comunicação assertiva e solução de problemas, nessa ordem.

E quais as habilidades técnicas em alta? Para os donos e presidentes das empresas, os conhecimentos técnicos mais importantes são: ser bilíngue, análise estatística e gestão de campanhas de marketing.

Trabalho em equipe é uma das soft skills mais valorizadas
Crédito: Shutterstock

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).