Inclusão e diversidade se aprendem cada vez mais no trabalho. Para montar equipes diversas, as empresas descobriram que é preciso primeiro educar os funcionários sobre a importância desses temas para depois chegar ao próximo nível dessa construção, que é contratar e promover profissionais de grupos minorizados.

Na Oracle e no C6 Bank, os funcionários passam por treinamentos sobre o que é diversidade e vieses inconscientes. “Quando fazemos esses workshops, provocamos uma reflexão sobre o que são esses vieses inconscientes, ajudamos a construir um entendimento do que é discriminação e preconceito”, diz Rafael Brazão, head de Gente & Gestão do C6 Bank.

Nesses treinamentos, segundo Daniele Botaro, head de Diversidade e Inclusão da Oracle América Latina, os colaboradores também aprendem que a diversidade é importante para o negócio da empresa. “Eles entendem que diversidade gera inovação para a companhia.”

No treinamento de vieses inconscientes, os colaboradores entendem por que algumas convicções que possuem arraigadas dentro de si podem excluir outras pessoas. “Temos que revisitar as crenças limitantes que todos temos para descobrir porque pensamos como pensamos e entender que algumas crenças não fazem sentido, que o PCD (pessoa com deficiência) não é um coitadinho e que a mulher não é menos capaz”, afirma Daniele.

Para ampliar o entendimento dessas questões, o C6 Bank lançou uma cartilha sobre diversidade e inclusão, que está disponível para download ao público interno e externo. “É uma cartilha bem extensa que tem o objetivo de capacitar e fomentar a consciência sobre o que é diversidade, o que é inclusão, quais são os grupos minorizados. Ela tem um glossário que deixa claro quais são os termos que devem ser usados. Essa cartilha é resultado de um esforço interno e foi acompanhada por parceiros desses temas”, conta Brazão.

Rafael Brazão, head de gente do C6 Bank

A importância da educação sobre diversidade para líderes e RHs

A importância da educação interna sobre diversidade é maior ainda para os profissionais de RH (Recursos Humanos) e lideranças das empresas. “A pessoa virou líder, é mandatório que ela faça treinamentos para aprender a criar times mais inclusivos. Em empresas com poucas mulheres, por exemplo, é preciso que o líder dê oportunidade para que elas possam participar das discussões sem ser interrompidas”, afirma Daniele.

No caso dos RHs, as preocupações vão desde a criação de processos de seleção acessíveis e inclusivos até o cumprimento de algumas metas de equidade. “Começamos a trazer para nosso dia-a-dia esse olhar de como atrair o público minorizado que não estaria normalmente participando de nossos processos seletivos. Exemplo disso é sempre tentar apresentar como finalista dos processos seletivos de liderança ao menos uma mulher para disputar em pé de igualdade com os homens aquela vaga. Toda essa educação para a diversidade começa a se refletir em nossas práticas de RH”, conta Brazão.

Na Oracle, as metas de diversidade são customizadas por áreas. “O marketing tem 70% de mulheres. Não vou propor ao setor que contrate mais mulheres. Mas tenho área técnicas com 20% de mulheres, quero que avancem nessa participação feminina. Quero implementar processos para dar sustentabilidade a essa conscientização que construímos.”

Daniele Botaro, da Oracle

Importância da diversidade para os negócios

Ninguém tem dúvidas que a diversidade é importante para construir um ambiente de trabalho mais feliz e com funcionários mais engajados. Mas não dá para esquecer que a diversidade também é essencial para o sucesso das empresas.

“As empresas sem diversidade estão perdendo talentos, perdendo a oportunidade de contratar pessoas boas, de se conectar e entender melhor clientes que valorizam a diversidade. Se tenho uma equipe diversa, entendo melhor os desafios do meu cliente e posso propor soluções mais adequadas para ele”, afirma Daniele, da Oracle.

No geral, segundo ela, a busca pela diversidade costuma ser pautada por três motivações: moral, lega e econômica. “As empresas investem em diversidade porque é o certo, porque a sociedade cobra, então é um imperativo moral. Também fazem porque precisam, podem ser multadas, o que é um caso de imperativo legal. E porque são espertas, sabem que vão se sair melhores que as outras, um imperativo econômico.”

No C6 Bank, os treinamentos de diversidade também contemplam a forma como o banco se comunica com o público externo. O time de recepção, por exemplo, passou por um curso de formação básica em libras. E os colaboradores que trabalham com conteúdo fizeram um treinamento de audiodescrição. “Eles também passaram por workshops de comunicação inclusiva e de acessibilidade nas mídias e plataformas digitais”, conta Brazão.

A expectativa é que o letramento dos funcionários também comece a ser percebido pelo público em forma de produtos e serviços. “Quando conecto o público interno com essas questões de diversidade, isso já se reflete nos produtos e serviços que oferecemos”, afirma Brazão. “A gente transporta toda acessibilidade física dos nossos espaços quando temos uma agenda de dedicada à acessibilidade do nosso aplicativo, por exemplo.”

Esses produtos começam a ficar visíveis. O C6 lançou na semana passada o cartão Rainbow, com as cores do arco-íris. A partir de agora, clientes do banco poderão fazer doações para instituições que apoiam a comunidade LGBTQIA+ diretamente no aplicativo.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).