Do ano passado para cá, a pandemia vem obrigando muitos negócios a reduzir sua força de trabalho, congelar vagas e promoções, além de investir na mobilidade interna em detrimento das contratações. Apesar do cenário desafiador, porém, reposições são necessárias e há quem esteja crescendo e aumentando seus times.

Diante disso, se você é um profissional com alta empregabilidade – em busca de recolocação ou interessado em se movimentar – pode estar agora mesmo no radar do mercado. Ou, quem sabe, já tem uma ou mais propostas de trabalho em mãos. Mas antes de bater o martelo, é preciso ter em mente que a avaliação de uma oportunidade não deve se restringir a status e dinheiro no bolso.

Para ajudar você a decidir se embarca ou não no novo desafio, confira abaixo nove importantes sinais de alerta acionados por dois especialistas no assunto: Tais Targa, diretora da TTarga Carreira e Recolocação e autora do Livro Você de Emprego Novo, e Fábio Cassettari, sócio-diretor da Career Center, consultoria especializada em gestão estratégica de Recursos Humanos.

1 . Alerta máximo!

O recrutador procura você com uma “oportunidade dos sonhos”, você faz uma entrevista e fica sabendo que foi bem. O trabalho, no entanto, pressupõe algumas condições estranhas, como por exemplo o uso de seu próprio computador e automóvel, bem como o custeio de ferramentas de avaliação a serem aplicadas pela dita agência de empregos – e até mesmo a produção de seu cartão de visitas (acontece, acredite). O conselho aqui é jamais efetuar aportes financeiros nem pagar por quaisquer serviços do gênero. E, de preferência, denunciar o golpe.

2 . Respeito é bom

Atente para o tipo de tratamento recebido por parte de seus entrevistadores. Ao longo do processo seletivo eles foram desrespeitosos, ríspidos, arrogantes? Deixaram você e outros candidatos plantados por horas a fio na sala de espera? Abriram pouca brecha para o diálogo? Rolaram comentários machistas e preconceituosos durante as interações? Cuidado.

3 . Empatia zero com o gestor

Seu santo definitivamente não bateu com o do futuro chefe, um indicador importante, uma vez que o superior imediato representa a personificação da companhia para qualquer profissional. Mas, calma, nada de precipitação. Os especialistas sugerem dar chance a uma eventual mudança de percepção. Uma boa alternativa? Assinar um contrato de experiência por três meses. Ou, então, elegantemente declinar da vaga.

4 . Impactos na vida pessoal

O novo trabalho demanda acúmulo de funções? A pressão por metas e resultados é enorme? As viagens são uma constante e trabalhar fora do horário do expediente, ou mesmo aos finais de semana, é algo recorrente? De acordo com seu perfil e sua fase de vida, você pode até se sentir à vontade diante de uma realidade como essa. Se, ao contrário, acha que seu tempo também deve ser compartilhado com a família, os filhos, amigos e projetos pessoais, talvez seja o caso de sair pela tangente.

5 . A questão “cultural”

O conjunto de hábitos, comportamentos, crenças e valores de uma empresa é o tipo de coisa que se percebe principalmente ao vivo e em cores, sentindo a energia do ambiente, andando pelos corredores do escritório, participando de reuniões presenciais, tomando café com os colegas, observando os códigos de vestimenta, enfim. Em tempos “remotos” como os atuais, portanto, ficou mais difícil do que nunca identificar a cultura organizacional de qualquer empresa.

A fim de buscar o máximo de informações e confirmar se o que sua possível empregadora prega é aplicado na prática, o jeito é dar um Google em tudo o que puder, incluindo sites como o Reclame Aqui e o Glassdoor, no qual funcionários e ex-funcionários avaliam anonimamente seus locais de trabalho. E, ainda, acionar seu networking pessoal. Outra opção é abordar pessoas ligadas direta ou indiretamente à companhia, via LinkedIn e outras plataformas online. Lembre-se, entretanto, que prints de suas mensagens de inbox podem ser propositalmente encaminhados por suas “fontes aleatórias” a profissionais da empresa. Ao pessoal do RH, inclusive. Dependendo do conteúdo, pode pegar mal.

6 . Regime de contratação e remuneração

Por conta do malabarismo feito pelas empresas diante da crise do covid-19, muitas vêm optando por regimes de contratação extra-CLT, como PJ, mão de obra temporária e terceirização. Sem falar nas consequentes reduções de salário. Caso seu fôlego financeiro permita, um downgrade de até 30% em relação a seu rendimento anterior é algo a ser considerado, desde que haja espaço para evolução e crescimento.

7 . “Salário emocional”

O salário pode até ser menor. Em compensação, os funcionários são valorizados, você terá liberdade e autonomia para trabalhar, a carga de trabalho é razoável, seu chefe, ótimo e o horário, flexível. Fora isso, a empresa oferece um bom pacote de benefícios e incentivos não monetários, a exemplo de cursos de aperfeiçoamento e idiomas, creche no local, descontos em livrarias, lojas, academias, farmácias etc. Tudo isso, é claro, deve pesar na sua balança.

8 . Pandemia: durante e depois

Outros “novos” aspectos a ponderar são os auxílios oferecidos aos profissionais em home office, assim como os planos da empresa relacionados à modalidade de trabalho “pós-pandemia”. Pesquisas mostram que no Brasil cerca de 30% das organizações devem continuar seguindo o modelo remoto. Se a sua “quem-sabe-futura-empregadora” é uma delas, talvez tenha chegado a tão esperada hora de se mudar para o interior ou para a praia, melhorar sua qualidade de vida e reduzir seus custos no geral.

9 . Visão panorâmica

Por fim, é sempre bom destacar que nada é perfeito e nenhum aspecto ou detalhe considerado negativo deve ser analisado de forma isolada. E, mais do que isso, a decisão de investir ou não no novo emprego tem de ser consciente, cuidadosa e em consonância com seu momento de vida, seus propósitos e objetivos de carreira.

Boa sorte.

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