Se você está procurando emprego, sabe que é preciso se destacar para conseguir uma vaga. Nessa hora, os cursos de menor duração – também conhecidos como cursos livres – aparecem como uma boa forma de dar uma incrementada no currículo.

Opções online não faltam. É só abrir qualquer site ou rede social para encontrar vários anúncios. Eles prometem ensinar de tudo: escrever roteiros, ser mais produtivo, utilizar ferramentas, softwares e por aí vai. Mas escolher um curso “só por escolher” ou porque “o meu amigo fez”, pode não ser uma boa ideia.

Especialistas em recursos humanos alertam que para não perder tempo nem dinheiro com aulas na internet, é preciso avaliar as experiências que já fazem parte da bagagem profissional. Uma escolha certeira parte da identificação de lacunas e também de pontos fortes.

Vem para somar ou é tempo perdido?

Para Letícia Krauskopf, diretora de Professionals da Randstad, um curso tem potencial de agregar valor ao currículo quando se encaixa em uma dessas funções:

Upskilling (qualificação adicional): aprimora competências já exercidas e sobre as quais o profissional possui algum domínio.

Reskilling (requalificação): traz uma nova competência, geralmente relacionada à área de atuação.

Duração proporcional à qualidade?

É relativo. Para a expert em RH, um curso mais curto pode fazer toda a diferença, assim como outro mais aprofundado pode passar despercebido. O segredo está em saber conectar o conhecimento adquirido às experiências já presentes no currículo.

Como adicionar ao currículo?

Seleção

A dica é se colocar no lugar do recrutador e pensar em como aquele curso vai chamar atenção.

Além dos cursos diretamente ligados à área de atuação, também são bem-vindos aqueles que agregam valor a qualquer profissional. Os ligados a soft skills são os mais famosos: comunicação, gerenciamento de conflitos, liderança.

Também vale ficar atento às características da empresa. Imagine um profissional de TI que pretende trabalhar em uma companhia que presta serviço para o mercado de arte. Ele pode ganhar pontos ao falar sobre seu curso de pintura, por exemplo. Isso mostra que o candidato desenvolveu uma sensibilidade interessante para todos os membros da empresa.

O mesmo serve para os esportes: é muito bom citar as práticas sempre que elas se relacionarem com o perfil da organização.

Quantidade

Aqui é preciso encontrar um equilíbrio. Ter feito vários cursos em pouco tempo pode passar a impressão de que não houve interesse em se aprofundar. A recomendação para um período de desemprego de seis meses até um ano é realizar no máximo seis cursos.

Formato

“Os recrutadores olham primeiro a experiência prática, depois verificam a formação. Um link entre essas duas coisas tem uma grande chance de chamar a atenção deles”, diz a diretora de Professionals da Randstad.

A melhor disposição, segundo ela, é colocar os cursos logo após a formação profissional. Além da carga horária, é preciso informar o título do curso, o nome da instituição e a data em que foi realizado.

Depois, vem o toque de mestre: fazer um link entre os cursos e as suas experiências de atuação, usando as mesmas palavras-chaves. Exemplo: você adicionou ao currículo um curso de Excel. Então, quando for escrever sobre sua experiência na área de dados, cite as competências que possui no uso do software. Assim, você alia a teoria do curso à prática adquirida no dia a dia.

Como citar na entrevista?

Os cursos devem ser citados quando se relacionam com o conteúdo da conversa. Se o recrutador não te perguntou diretamente sobre eles, você pode contar uma experiência que teve durante as aulas e que te transformou de alguma forma.

Seja como for, não deixe escapar a oportunidade apresentar detalhes especiais da sua trajetória. “Contar sobre cursos livres na hora de uma entrevista traz repertório. Eles ajudam a compor o profissional”, resume Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos.

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