Em ano de pandemia, não tem sido fácil para os trabalhadores negociarem reajustes salariais que consigam repor a inflação do período. Em outubro, 48% dos reajustes salariais ficaram abaixo de 3,89%, percentual referente à inflação acumulada nos 12 meses anteriores, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Com isso, segundo estudo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), outubro foi o pior mês do ano para negociações salariais. Em setembro, 26,8% das negociações ficaram abaixo da inflação.

O que chama atenção? Do total de reajustes negociados em outubro, 12,1% foram iguais a zero. Foi a terceira maior incidência no ano, atrás somente de maio (16,4%) e julho (12,6%).

No ano de 2020, já são 676 reajustes iguais a zero, que representam cerca de 9% do total. Os reajustes iguais a 0% equivalem a quase um 1/3 do total de reajustes abaixo do INPC em 2020. Em todo ano de 2019, foram registrados 39 reajustes salariais de 0%, o que corresponde a 0,3% do total analisado no ano.

Como os reajustes ficaram distribuídos?

  • 41% dos reajustes analisados resultaram em ganhos reais.
  • 31% das negociações resultaram em aumentos iguais ao INPC
  • 28% ficaram abaixo da inflação

Quais os percentuais de aumento?

  • A maior parte dos reajustes acima da inflação trouxe ganhos de até 1%
  • 18,3% dos reajustes com ganhos de até 0,5%
  • 12,8% dos reajustes com ganhos entre 0,51% e 1%
  • 8,8% dos reajustes resultaram em perdas reais de até 0,05%
  • 8,0% dos reajustes tiveram perdas reais de 2,01% a 3%

A variação real média no ano é de -0,07%

Qual a tendência daqui para a frente? Nada positiva. “É possível esperar negociações mais difíceis em novembro, mês em que será necessário, até o momento, o reajuste mais alto do ano. Entretanto, a retomada gradativa da atividade econômica e a concentração de negociações importantes neste mês podem contrabalançar os efeitos negativos da inflação”, diz o Dieese.

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