Voltar ou não voltar, eis a questão. Mesmo sem saber se poderão retomar as aulas regulares neste ano, as escolas particulares de São Paulo foram autorizadas a reabrir as portas a partir de 7 de outubro com atividades extracurriculares. O retorno é opcional, ou seja, oferece quem quer esse conteúdo aos alunos.

Mesmo sem essa obrigatoriedade, alguns colégios decidiram oferecer algum tipo de atividade para os estudantes. Esse é o caso dos colégios Agostiniano Mendel e São José e da rede Maple Bear. O objetivo é reforçar o vínculo que pode ter se afrouxado com o ensino a distância.

“Precisamos cuidar da saúde emocional das crianças. Algumas, estão há 7 meses longe dos amigos, dos professores e já sinalizaram nas aulas online que desejam esse reencontro”, diz Adriana Pires, coordenadora pedagógica da SAEA (Sociedade Agostiniana de Educação e Assistência). “Acreditamos muito no olho no olho, no sorriso atrás das máscaras e no ganho que o ‘escuta e fala’ traz para a saúde das crianças.”

O que a prefeitura definiu sobre esse retorno? No caso das escolas municipais, as escolas poderão receber alunos duas vezes na semana, por apenas duas horas. Para as particulares, não há limite de horário.

E como será o retorno parcial? No caso da SAEA, serão atividades de acolhimento no contraturno escolar, ou seja, no horário livre de aulas regulares. “Será um ano de cada vez, em dois períodos, com duas horas de atividades”, conta Adriana.

A Maple Bear vai aproveitar a experiência de unidades e países que já retomaram às aulas presenciais para voltar em São Paulo com atividades de reforço e acolhimento.

Que atividades são essas? Ancorado em um projeto de desenvolvimento de atividades socioemocionais, serão oferecidas atividades com os professores de educação física, artes, música e inglês. Entre as atividades previstas está um piquenique, por exemplo.

“Cada turno terá duas horas de atividades. Um vai das 7h30 às 9h30 e das 10h às 12h. À tarde, tem das 13h às 15h e das 15h30 às 17h30. Em cada dia da semana, vamos trazer um ano escolar diferente. Isso do infantil até o 5º ano”, conta Adriana.

Que segurança as escolas vão oferecer às famílias? A maioria dos colégios particulares recorreu a entidades médicas para elaborar seus protocolos de segurança sanitária. O protocolo da SAEA foi feito com o Hospital Albert Einstein, enquanto o do Maple Bear tem a chancela da Sociedade Brasileira de Infectologia.

E o que esses protocolos preveem? Algumas rotinas são básicas, como a obrigatoriedade do uso de máscaras e distanciamento social. Outras serão incorporadas, como medição da temperatura antes de sair de casa e na chegada à escola. Por que medir antes? Porque os pais não devem enviar para o colégio crianças com febre, por exemplo.

“Dentro da escola, o uso de máscara, distanciamento social e higienização das mãos são medidas obrigatórias”, diz Adriana.

Na rede Maple Bear, além dessas medidas, ficou definido que professores e funcionários devem ter uma roupa para uso exclusivo na escola. Já os alunos terão um kit individual de brinquedos, materiais de estudo, de higiene e alimentação para que não ocorram trocas.

“Pela experiência que tivemos nas unidades que já retomaram aulas presenciais, o correto uso de EPIs, uma comunicação recorrente com os pais e treinamentos foram muito importantes para um retorno organizado”, diz Cintia Sant’Anna, diretora acadêmica da Maple Bear.

As aulas online continuarão? Sim. Tanto nos colégios da SAEA quanto na Maple Bear o retorno é opcional. Caso as aulas regulares sejam retomadas em novembro, os dois colégios manterão o chamado ensino híbrido (mistura de presencial com online).

“Manter opções digitais se mostrou fundamental para atender algumas famílias que preferiram não mandar seus filhos neste momento, além de atender a redução de capacidade. A taxa de presença foi crescendo semana a semana, mas entendemos que o modelo híbrido deve prevalecer nos próximos meses”, diz a diretora acadêmica da Maple Bear.

No grupo SAEA, foi feito um investimento alto em tecnologia para permitir que os alunos que ficarem em casa tenham a mesma aula que o colega que for para a escola. “Até o acesso ao que é escrito na lousa acontecerá em tempo real na aula online”, conta a coordenadora.

O ensino híbrido veio para ficar? Benjamin Ribeiro, presidente do Sieeesp (sindicato das escolas particulares de São Paulo), disse que o ensino híbrido vai continuar até meados de 2021. “As aulas não vão ser 100% presenciais até junho, julho do ano que vem. Os pais e escolas precisam estar preparados para essa nova realidade.”

Ribeiro é um defensor do retorno ainda em 2020 das aulas regulares. “Todo mundo que entende de educação sabe que as crianças estão adoecendo por estarem tanto tempo longe da escola. Estão ansiosas, engordaram, algumas foram vítimas de violência doméstica. Tudo isso tem que entrar na decisão.”

Professora do Colégio Agostiniano Mendel dá aula 

 

Alunos da Maple Bear de São Luís do Maranhão
Crédito: Divulgação

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