A crise de saúde causada pelo coronavírus está longe do fim. Mas não é por isso que as empresas deixaram de lado as análises e o planejamento sobre como será o retorno ao local de trabalho – ainda que não haja um prazo para isso acontecer.

Cada setor tem sua realidade. E no pós-quarentena, todos eles terão em comum o termo flexibilidade. É essa a grande novidade imposta pelo home office forçado, que chegou de supetão no final de março. Para Sergio Margosian, gerente sênior da Michael Page, consultoria especializada no recrutamento de média e alta gerência, gestores e colaboradores ficarão mais flexíveis consigo mesmos e com seus pares.

Ele avalia que isso é bom, e que ao final da crise, todos sairão com sensação de superação e melhoria.

O 6 Minutos conversou com Margosian para saber como ele vê os setores se articulando em relação aos funcionários e quais são as pistas de como será o novo normal no pós-quarentena. Veja o que ele destaca:

1. Reuniões serão mais breves e objetivas

Depois de mais de um mês fazendo reuniões por telefone ou videoconferência, as pessoas aprenderam a ser mais objetivas e evitar conversas mais longas. “A convenção de que reuniões precisam durar 1 hora acabou”, acredita o gerente sênior da Michael Page.

Isso vai valer para entrevistas com candidatos, conversas com clientes e até reuniões de equipe.

Outro exemplo são os representantes de remédios, que antes da quarentena trabalhavam na rua visitando profissionais da saúde. “Agora poderão fazer home e selecionar os parceiros mais importantes para o negócio”, cita Margosian.

2. Home office até deu certo, mas não será obrigatório

Sim, muita gente percebeu que é possível trabalhar e ser produtivo de home office e com reuniões por videoconferência. Mas essa modalidade não será obrigatória. “Vai haver um equilíbrio maior. Será mais fácil negociar dias e horários”, prevê Margosian.

As pessoas já compreendem melhor como funcionam, se preferem estar perto da equipe ou se o home office é mais confortável. E terão mais liberdade para dizer o que preferem, mas também terão que ser flexíveis com o resto da equipe e a coordenação.

3. Viagens serão repensadas e o dinheiro será reinvestido em tecnologia

Em meio à quarentena, as reuniões com parceiros e cliente internacionais ou de outras cidades continuaram acontecendo. Isso motivou empresários a decidir reduzir a quantidade de viagens e reinvestir o dinheiro em uma boa sala de videoconferência, com equipamentos de imagem, som e transmissão de última geração.

4. Autonomia, liberdade e responsabilidade agora caminham juntas

É um dos efeitos do home office ter dado certo. Em casa, as pessoas naturalmente têm mais liberdade. E para garantir o emprego precisam ser produtivas e ter mais autonomia, já que ficar checando tudo com os colegas o tempo todo ficou um pouco difícil e trabalhoso. Esse conjunto de habilidades ganha força e acaba transmitindo mais confiança para toda a equipe.

5. Saber se adaptar à distância é o novo mantra 

Algumas empresas e equipes já tinham a cultura de mais flexibilidade e trabalho a distância. As que não tinham, tomaram um susto e se adaptaram. Esse ajuste é positivo, e deve continuar, analisa Margosian. Quem não se adaptar vai bater muita cabeça e pode perder lugar.

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