Às vésperas da eleição na Alemanha, a corrida para suceder a Angela Merkel estava completamente aberta ontem, com o partido da chanceler, a União Democrata-Cristã (CDU), ganhando força na reta final. Três pesquisas importantes mostraram que o Partido Social-Democrata (SPD) perdeu a vantagem que tinha.

O SPD vinha liderando a corrida há semanas, mas viu sua vantagem reduzida a uma margem tão estreita que passou a ser praticamente inexistente, considerando a margem de erro das três sondagens. Uma pesquisa feita pelo Civey, para a emissora ZDF, mostrou o SPD estável com 25% da intenções de voto, mas a CDU ganhou um ponto porcentual com relação à semana anterior e apareceu ontem com 23%.

Outra sondagem, do instituto Allensbach, para o jornal Frankfurter Allgemeine, mostrou a disputa ainda mais acirrada. O SPD tinha 26%, perdendo um ponto porcentual com relação à sondagem passada, do dia 8 de setembro, e a CDU contava com 25%, mantendo estável sua margem de intenção de voto com relação ao mesmo período.

Uma terceira pesquisa, do instituto Forsa, divulgada ontem, também mostrou que a CDU ganhou um ponto porcentual em uma semana, ficando com 22%, enquanto o SPD manteve os mesmos 25% da pesquisa anterior.

Especialistas dizem que uma das razões pelas quais a eleição alemã deste ano estar mais apertada e menos previsível do que o normal é que os candidatos são relativamente desconhecidos para a maioria dos eleitores. “Certamente não é a eleição mais entediante que já tivemos”, disse o cientista político da Universidade de Leipzig Hendrik Traeger. “Houve aquelas em que Angela Merkel permanecia como líder e era simplesmente uma questão de como ela governaria.”

Desta vez, o partido de Merkel tem lutado para energizar sua base tradicional, que até agora não conseguiu demonstrar todo seu apoio a seu candidato, Armin Laschet, um político impopular que cometeu várias gafes durante a campanha. “A questão-chave é saber se esses eleitores vão superar o obstáculo de Laschet e votar na CDU, apesar dele”, disse Peter Matuschek, do instituto de pesquisas Forsa. “Ou se eles vão se abster de votar ou mesmo escolher outro partido.”

Depois de permanecer à margem da campanha, no último mês, Merkel não tem poupado esforços para expressar apoio a Laschet, governador do Estado da Renânia do Norte-Vestfália. Ontem, ela fez um apelo aos eleitores. “Para que a Alemanha permaneça estável, Armin Laschet deve se tornar o chanceler”, disse Merkel, durante um comício em Munique. “A questão de quem governa na Alemanha não é trivial.”

A chanceler, que governou a Alemanha por 16 anos, também se pronunciou contra o candidato do SPD, alertando para o cenário de vitória do social-democrata Olaf Scholz, seu atual ministro das Finanças. Merkel estará com Laschet hoje no encerramento da campanha no reduto do candidato, na cidade de Aachen, perto da fronteira com a Bélgica.

Os verdes, com Annalena Baerbock concorrendo pela primeira vez a chanceler, aparecem em terceiro lugar nas pesquisas, mas podem acabar sendo uma peça importante na formação de um governo no caso de uma vitória dos social-democratas. Com uma campanha considerada decepcionante, o Partido Verde aparece na pesquisa com entre 15% e 17% das intenções de voto. (Com agências internacionais)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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