A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, destacou durante discurso nesta sexta-feira que a inflação preocupa a instituição. Segundo ela, os fatores que têm impulsionado os preços da zona do euro devem perder força ao longo deste ano e o BCE adotará “todas as medidas necessárias” para levar a inflação ao consumidor de volta à meta de 2%.

Lagarde discursa na Conferência de Comitês Parlamentares para Assuntos da União dos Parlamentos da União Europeia, em Paris (Cosac). A autoridade notou que os números da pandemia da covid-19 “ainda estão elevados” no continente, mas considerou que “nós estamos saindo da fase emergencial da pandemia”. Para continuar a avançar, ela disse que as autoridades do bloco precisam dar estabilidade, fortalecer a oferta e garantir a autonomia estratégica.

O BCE espera que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro superará o nível pré-pandemia no primeiro trimestre deste ano. Segundo ela, a política monetária e medidas fiscais ampararam uma recuperação robusta após o auge do choque da pandemia.

Lagarde afirmou que a “rápida reabertura da economia” provocou “altas acentuadas nos preços de combustíveis, gás e eletricidade”. Isso também causou altas em preços de bens duráveis e de alguns serviços, com a demanda superando a oferta ainda contida. “Esses mesmos fatores por sua vez pesam sobre o crescimento no curto prazo, que desacelerou no fim do ano passado”, apontou, notando que os preços mais altos de energia reduzem a receita das pessoas e prejudicam a confiança, enquanto os gargalos na oferta provocam problemas de abastecimento no setor manufatureiro. De acordo com a presidente do BCE, os fatores que puxam para cima a inflação devem perder força ao longo deste ano.

A dirigente também defendeu medidas para apoiar a oferta na zona do euro, como o apoio a uma transição econômica verde. Recomendou ainda que a UE reforce sua estratégia de autonomia como um bloco.

Lagarde ainda falou sobre o potencial lançamento de um euro digital. De acordo com a presidente do BCE, isso poderá ajudar novas oportunidades de negócios e ser um catalisador para progressos tecnológicos e inovação. A dirigente voltou a dizer que isso não significará substituir o dinheiro em papel, sendo apenas mais uma alternativa disponível para pagamentos.

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