O índice DXY, que mede a força do dólar ante seis rivais, fechou em baixa nesta quinta-feira, estendendo as perdas de ontem. O dólar ficou misto ante moedas rivais, mas foi pressionado pela alta da libra, em meio a especulações sobre aumento de juros do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês). A iminência do tapering pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) segue no radar dos investidores. Entre as emergentes, a lira turca tocou mínimas históricas ante o dólar, após demissões no banco central da Turquia.

No fim da tarde em Nova York, o dólar subia a 113,60 ienes, o euro avançava a US$ 1,1603 e a libra tinha alta a US$ 1,3685. O índice DXY, que mede a força da divisa americana ante seis rivais, fechou em queda de 0,59%, a 93,956 pontos.

Nesta sessão, o dólar deu continuidade às perdas registradas ontem, com a divulgação da ata da reunião mais recente do Fed e a inflação ao consumidor americano acima do esperado. Hoje, porém, a inflação ao produtor veio abaixo do estimado.

Analista da Western Union, Joe Manimbo diz que a força da retomada econômica somada à ata do Fed sugere que o tapering deve começar já no mês que vem. Por consequência, segundo o economista, a divisa americana seria vítima de “compra no boato, venda no fato”, com a especulação sobre menor estímulo monetário e, em seguida, sua materialização. Os juros mais baixos dos Treasuries tampouco apoiam o dólar, observa Manimbo.

Na Europa, o euro permaneceu quase estável, enquanto a libra se fortaleceu ante o dólar, atingindo máximas em duas semanas. O avanço se deu em meio a especulações sobre a elevação adiante da taxa de juros britânica. O Commerzbank, no entanto, avalia que os ganhos da libra devem ser limitados, dadas as preocupações do Reino Unido particularmente severas com problemas nas cadeias de oferta, escassez de mão de obra e inflação elevada. Para Ulrich Leuchtmann, analista no banco alemão, a expectativa de inflação temporária vista ao redor do mundo não se aplica ao Reino Unido, por conta dos efeitos do Brexit.

Para o ING, as moedas fortes ganharão fôlego, enquanto o mercado de câmbio repensa suas preferências. Os preços ascendentes em energia, a inflação persistente e seu impacto nas políticas monetárias de bancos centrais estão no radar, diz o chefe global de mercados, Chris Turner. O banco holandês destaca o balanço no comércio de energia: “Os grandes exportadores, como Rússia, Noruega e Canadá, têm moedas com boa performance. São mais prováveis de elevar suas taxas, apoiando suas divisas. Do outro lado, estão o Japão e a Turquia, como maiores importadores de energia”, diz Turner.

Ainda nesta sessão, a moeda turca renovou sua mínima histórica ante o dólar. O presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, demitiu três membros do comitê de política monetária do banco central. No horário citado, o dólar subia a 9,1845 liras turcas, de 9,0731 liras no fim da tarde de ontem. Mais cedo, a moeda americana tocou o nível de 9,2064 liras, nova máxima histórica.

*Com informações da Dow Jones Newswires.

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