O dólar recuou na comparação com outras moedas fortes nesta sexta-feira, com o foco dos investidores no impasse fiscal em Washington e nas eleições dos Estados Unidos, que ocorrerão em dez dias.

No fim da tarde em Nova York, o dólar caía a 104,73 ienes, o euro avançava a US$ 1,1861 e a libra tinha queda a US$ 1,3039. O índice DXY, que mede a variação da moeda dos EUA ante uma cesta seis rivais, registrou baixa de 0,20%, a 92,768 pontos, com perda semanal de 0,98%.

“A pressão sobre o dólar foi retomada”, comentam analistas do Brown Brothers Harriman, um banco de investimentos americano. “O dólar está em baixa esta semana em relação a todas as principais moedas, e é digno de nota que está enfraquecendo mesmo com o aumento dos rendimentos dos juros dos Treasuries”, acrescentam os profissionais.

O foco do mercado continuou no impasse fiscal em Washington. A presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, voltou a demonstrar otimismo, mas o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que as negociações “não estão progredindo rapidamente”. O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que negocia diretamente com a democrata, disse que houve progresso nas tratativas, mas “diferenças significativas” ainda permanecem.

“As expectativas de que Washington acabaria eventualmente indo ao socorro da economia com estímulos ousados empurraram o dólar para o fundo do bloco”, afirma o analista sênior de mercado Joe Manimbo, da Western Union. Além disso, investidores já estão com o foco nas eleições de 3 de novembro, nas quais uma vitória do Partido Democrata poderia levar o dólar a se desvalorizar mais.

O euro, por sua vez, se valorizou após o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial da Alemanha atingir em outubro o maior nível em 30 meses. Além disso, o PMI da indústria da zona do euro registrou neste mês o maior nível em 26 meses.

A libra, por outro lado, recuou em meio a indicadores mistos no Reino Unido. De acordo com Manimbo, o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) pode anunciar novos estímulos já na próxima reunião de política monetária, no dia 5 de novembro.

Em relação a divisas de países emergentes e ligados a commodities, o dólar subia 78,1583 pesos argentinos, mas caía a 20,8813 pesos mexicanos e a 76,195 rublos russos, no final da tarde em NY. Nesta sexta, o banco central da Rússia manteve a taxa básica de juros do país em 4,25%.

A lira turca, por sua vez, voltou a se enfraquecer na sexta, após o BC da Turquia ter mantido na quinta os juros em 10,25%.

Quer receber notícias do 6 Minutos direto no seu celular? Estamos no Telegram (t.me/seisminutos) e no WhatsApp (https://6minutos.uol.com.br/whatsapp).