O dólar operou em alta ante moedas rivais nesta quarta-feira, impulsionado pelo avanço acima do esperado do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos de abril. A leitura do indicador alimentou a pressão sobre a política monetária acomodatícia do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e as expectativas em torno do momento em que o banco central americano começará a reverter seus estímulos.

O Dollar Index (DXY), que mede a variação da divisa americana em relação a outras seis moedas fortes, fechou em alta de 0,63% hoje, aos 90,713 pontos. No fim da tarde em Nova York, o euro caía a US$ 1,2077, a libra cedia a US$ 1,4055, e o dólar apreciava a 109,61 ienes.

O avanço anual acima de 4% do CPI americano no mês passado validou o temor do mercado de que a inflação possa estar em trajetória mais acelerada de alta, o que, se sustentado, pode levar o Fed a reduzir o estímulo mais cedo, segundo avalia o analista sênior de mercados do Western Union Joe Manimbo, que ainda associou a queda do euro ante o dólar ao fraco desempenho da indústria da zona do euro em março, segundo dado divulgado hoje.

Autoridades do Fed, no entanto, seguem com o posicionamento de que a alta nos preços se dá, na maior parte, por fatores temporários, como a escassez de chips semicondutores na cadeia global de suprimentos. Entre os dirigentes que se pronunciaram hoje, o vice-presidente Richard Clarida disse ter se surpreendido com a leitura de abril, antes de rechaçar uma possível continuação a longo prazo do movimento.

Presidente da distrital de Atlanta do Fed e membro com direito a voto nas reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) em 2021, Raphael Bostic disse considerar que ainda é cedo para saber se a inflação nos EUA está em uma trajetória preocupante. Segundo ele, o cenário só ficará mais claro após setembro, quando deve começar a arrefecer o impacto dos fatores transitórios que causam “turbulência” nos preços.

Para a Capital Economics, o dólar deve se recuperar de perdas recentes e acumular ganhos à medida que a economia dos EUA se fortaleça em ritmo mais acelerado ao longo do ano, em relação a de outras nações desenvolvidas. Além disso, a consultoria aponta para a retomada do avanço dos juros dos Treasuries como um fator decisivo à apreciação da moeda americana este ano.

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