O dólar operou com viés negativo ante boa parte das moedas mais competitivas do mundo, devolvendo parcialmente os firmes ganhos da véspera. As movimentações foram contidas na sessão do câmbio desta quinta-feira, por conta do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, que deixou os mercados locais fechados.

No ajuste de fechamento, o índice DXY, que mede a variação da moeda americana ante uma cesta de seis rivais fortes, cedeu 0,10%, a 96,774 pontos. O ING explica que a falta de um pregão em Wall Street hoje deixou os negócios “calmos”, mas as perspectivas para o dólar são positivas.

“Dado que esta métrica ponderada do dólar em particular está fortemente inclinada para as moedas europeias, a combinação de um Federal Reserve (Fed) hawkish e de uma quarta onda de coronavírus na Europa está fazendo o DXY parecer muito competitivo”, explica o banco holandês.

No fim da tarde em Nova York, o dólar recuava a 115,37 ienes, enquanto libra cedia a US$ 1,3324 e euro avançava a US$ 1,1211. Pela manhã, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou ata referente à mais recente reunião de política monetária, em que dirigentes admitiram que a inflação deve ser mais duradoura do que o esperado, embora a expectativa ainda seja de que os preços moderem ao longo de 2022.

O estrategista George Vessey, do Western Union, ressalta que, nos últimos dias, a divisa comum europeia foi prejudicada por dados econômicos mistos e o agravamento da pandemia em vários países da região. “Mais desafios da cadeia de abastecimento, lockdown restabelecidos em todo o continente e divergências crescentes de taxas de juros sugerem que mais fraqueza pode estar a caminho”, alerta.

O Produto Interno Alemão (PIB) da Alemanha cresceu 1,7% no terceiro trimestre ante o anterior, segundo informou hoje a agência oficial de estatísticas do país, Destatis, na leitura final do indicador. O grupo de pesquisas de mercado GFK, por sua vez, revelou que o sentimento do consumidor alemão recuou de a -1,6 em dezembro.

No mundo emergente, o destaque negativo no mercado cambial foi o peso mexicano. A indicação do presidente mexicano, López Obrador, da vice-ministra das Finanças, Victoria Rodríguez, para liderar o BC do país (Banxico) foi recebido com ceticismo entre os agentes financeiros.

“Os investidores estão avaliando um caminho ainda mais íngreme para as taxas de juros, juntamente com a preocupação de que a nova presidente não tenha experiência em política monetária”, explica o Julius Baer.

No fim da tarde, o dólar avançava a 21,5781 pesos mexicanos, enquanto cedia a 12,0074 liras turcas e 76,728 rublos russos.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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