Cinco empregados da Petrobras morreram por covid-19 na última semana, subindo para nove o número de óbitos causados pela pandemia na estatal desde o início da doença. Quase 10% da força de trabalho da empresa (46.416) já foi contaminada, um total de 4.274 pessoas. Os terceirizados que prestam serviços para a Petrobras não entram na conta.

Desse total, 4.032 pacientes já estão recuperados, 17 seguem internados e 233 estão em quarentena. Os números constam do 40º Boletim de Monitoramento Covid-19 do Ministério de Minas e Energia.

A estatal afirma que adota todas as medidas necessárias para conter a disseminação da doença. Isso inclui testagem antes dos embarques nas plataformas e isolamento imediato ao ser constatado qualquer sintoma em empregados embarcados.

Mudança na testagem

A Petrobras porém interrompeu a aplicação de testes do tipo RT-PCR, considerados mais eficazes, e adotou em caráter temporário o teste do tipo antígeno no pré-embarque.  O motivo seria uma “transição contratual”, explicou a companhia, após denúncia da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

“Os testes de antígeno são reconhecidos pelo Ministério da Saúde e Anvisa como testes diagnósticos para covid-19 e já vêm sendo realizados pela Petrobras em outras situações – como, por exemplo, para o diagnóstico de covid-19 em casos assintomáticos em algumas unidades em terra”, justificou a empresa em nota.

Treinamentos presenciais

A FUP acusa a companhia de realizar cursos presenciais sem necessidade, colocando em risco vários trabalhadores. Segundo a Petrobras, foram suspensos todos os treinamentos presenciais que não são de natureza legal e normativa. Todos eles passaram a ser realizados exclusivamente a distância.

A empresa também afirmou que para os cursos legais e/ou normativos que precisam ser realizados presencialmente, há análise criteriosa de quais empregados devem ser treinados. “Sempre observando as orientações dos órgãos reguladores e a validade dos treinamentos, com adiamento da realização nos casos permitidos pelas autoridades competentes”, acrescentou.

De acordo com a Petrobras, quando o treinamento presencial é imprescindível para a segurança dos colaboradores, as turmas são reunidas seguindo protocolos para evitar o contágio da doença e com acompanhamento de profissionais de segurança e saúde.

Para a FUP, porém, a categoria está sendo exposta desnecessariamente a riscos de contaminação em turmas de treinamento que concentram diversos trabalhadores, próprios e terceirizados, sem acompanhamento e fiscalização. A entidade pede a suspensão imediata dos cursos e treinamentos presenciais e a volta dos testes RT-PCR.

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