Embalado pela expectativa com os resultados trimestrais, cuja safra se amplia na próxima semana, o Ibovespa teve a terceira semana consecutiva de ganhos. Do fechamento de sexta-feira passada até esta sexta, 23, o salto foi de 3,00% – nesse intervalo foram quatro altas consecutivas e um baixa, a dessa sessão, atribuída por operadores à realização de ganhos. A Bolsa chegou ao fim do pregão desta sexta-feira aos 101.259,75 pontos (-0,65%).

O impasse em torno do pacote trilionário de ajuda nos Estados Unidos e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) acima das projeções do mercado contribuem para o cenário de recuo diário, mas não tira o otimismo com a próxima semana.

O setor bancário, em especial, teve forte avanço semanal, derivando da expectativa de resultados firmes para o segmento. Com as provisões em queda, é esperado que os grandes bancos tenham lucro de R$ 16 bilhões no terceiro trimestre, um aumento de 20% ante os três meses anteriores, como mostrou o Prévias Broadcast. Desse grupo, são divulgados os resultados de Santander (terça-feira) e Bradesco (quarta-feira).

Na semana, os papéis ON de Bradesco saltaram 9,32% e PN de Itaú Unibanco avançaram 10,08%. Na sessão, por sua vez, em meio à realização de lucro, o primeiro cedeu 0,20% e o segundo, 1,28%.

“É uma correção natural, ainda acho que os bancos estão descontados”, destacou Rafael Ribeiro, analista de ações da Clear Corretora. “Se os resultados vierem bons, ou um pouquinho acima do esperado, podemos ver mais altas. Mas não sei se eles conseguirão sozinhos levar o índice acima dos 105 mil pontos. Precisa de um a mais.”

De acordo com Ribeiro, o “a mais” seria uma sinalização firme do governo na questão fiscal, o que deve ficar para depois das eleições municipais. Isso porque, do lado monetário, o espaço para redução de juros, se havia, foi fechado após o forte resultado do IPCA-15 nesta sexta.

O índice acelerou a 0,94% na margem e marcou o maior nível para outubro desde 1995 (leia mais no cenário de Juros). Para o analista, isso deve colocar pressão no discurso do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem. “Existe sim a expectativa de o juro subir no curto prazo. Assim, o mercado fica sem esse ‘upside’ na mesa. Só vai destravar então com agenda pró-reformas”, afirmou.

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